“Sim, meu amor.”
Ele assentiu. “Está tudo bem. Eu também tenho coisas para fazer.”
“Que coisas?”
Ele encolheu os ombros depressa demais. “Só lá fora.”
Nos quatro dias seguintes, ele voltou para casa com graxa nas mãos e segredos escondidos na língua.
“Jeffrey.”
“Sim, mãe?”
“Onde é que vais depois da escola?”
“Nada.”
“Nada tem ferramentas?”
As orelhas dele ficaram vermelhas. “Talvez.”
“Estás a incomodar o senhor Walter?”
Isso fez com que ele olhasse para mim. “Não, nunca o incomodaria, mãe. Eu gosto dele.”
O senhor Walter vivia ao lado, numa pequena casa verde com uma rampa à frente. Usava cadeira de rodas, era reservado e tinha um cãozinho castanho chamado Benny.
Ultimamente, o Benny já não ladrava aos vizinhos nem aos esquilos.
Eu tinha visto o senhor Walter a carregá-lo uma vez, com as patas traseiras do cão imóveis contra o braço.
Na tarde seguinte, o meu turno terminou mais cedo porque o congelador do restaurante avariou. Quando cheguei a casa, encontrei a mochila do Jeffrey na varanda.
Sem Jeffrey.
O meu estômago apertou.
Então vi o meu filho a passar pelo portão lateral do senhor Walter.
“Jeffrey”, sussurrei.
Atravessei o jardim. A porta da garagem do senhor Walter estava meio aberta e vozes vinham lá de dentro.
“Não apertes tanto”, disse o senhor Walter. “O Benny precisa de apoio, rapaz. Não de uma prisão.”
“Eu sei”, respondeu Jeffrey. “A minha mãe diz o mesmo quando eu amarro os sapatos com demasiada força.”
“A tua mãe parece uma mulher inteligente.”
“É.” Fez-se uma pausa. “Só fica triste quando chegam as contas.”
A minha mão parou na porta da garagem.
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