Um motociclista entrou em um ônibus lotado e exigiu que o motorista parasse imediatamente — quando os outros motociclistas que vinham atrás cercaram o veículo, tudo tomou um rumo completamente inesperado

— Só por hoje.

 

Ela pensou nisso com toda a seriedade possível. Depois desamarrou a fita de uma de suas tranças e a estendeu. Amarelo pálido. Fina como uma promessa.

 

— Pra você guardar no bolso — disse.

 

Ele pegou com as duas mãos.

 

O gesto era tão pequeno que quase partiu Denise por dentro.

 

Wade guardou a fita junto do desenho, agradeceu e desceu do ônibus para o frio. Os motociclistas se reuniram ao redor dele sem cercar, do jeito que pessoas fazem quando estão perto de alguém que carrega mais memória do que os outros conseguem dividir. Sem comemoração. Sem pose de vitória. Sem explicações para estranhos.

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