Só a estrada esperando.
Quando as motocicletas começaram a se afastar da calçada, a linha 16 ficou vazia e aberta de novo — o medo já tinha ido embora, mas não a marca do que havia acontecido ali. Denise permaneceu no banco do motorista um pouco mais do que precisava, as mãos no volante, olhando pelo retrovisor lateral onde ainda conseguia ver Wade sumindo no trânsito com a fita pálida guardada dentro do colete.
Durante toda a tarde, novos passageiros entrariam em outras viagens e reclamariam dos atrasos sem saber nada sobre a menina de cardigan amarelo ou o motociclista que tinha assustado um ônibus inteiro para salvá-la. E, de algum modo, isso parecia certo. A maioria dos resgates reais não muda a cidade de forma visível. O mundo raramente para tempo suficiente para admirar quem o impede de piorar.
Mas Denise lembraria.
O homem de barba.
A voz áspera.
A primeira impressão terrível.
As mãos abertas.
A distância cuidadosa.
A criança que saiu do ônibus viva.
E, anos depois, sempre que visse uma fila de motocicletas passando por um cruzamento e sentisse outros motoristas se tensionarem ao seu lado, ela se lembraria de um ônibus lotado, de uma menina desaparecida e da forma como a bondade às vezes chega vestindo exatamente o rosto que as pessoas já decidiram temer.
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