Assenti como se estivéssemos falando de uma decisão banal do cotidiano, mas dentro de mim algo finalmente se encaixava no lugar certo.
Maio passou depressa. Como sempre, Nóra ligou na metade do mês. Sua voz vinha leve e confiante, como se a resposta já estivesse decidida havia muito tempo.
— Então, este ano vocês vêm em julho também, certo? Já falei para as crianças.
Não esperei. Não deixei espaço para hesitação.
— Este ano não. Desta vez eu vou para a sua casa.
Silêncio. Denso, quase palpável.
— Para a minha casa? — perguntou enfim, e pela primeira vez ouvi insegurança em sua voz.
— Sim. Por três semanas. Vou descansar. Somos família.
Do outro lado da linha, parecia que ela fazia contas às pressas, procurando desculpas, tentando encontrar as palavras certas.
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