Gábor olhou para mim como se estivesse me vendo pela primeira vez — não apenas como esposa, mas como uma pessoa capaz de sair do papel ao qual ele se acostumara durante quinze anos. Havia um instante de incerteza em seu olhar, seguido por uma tensão silenciosa, como se tentasse calcular rapidamente as consequências, sem encontrar nenhuma saída segura.
— Você está falando sério? — perguntou enfim, pousando o garfo sobre a mesa.
— Completamente — respondi com calma, sem me justificar. — Faz muito tempo que eu não descanso. E, como você mesmo disse, a Nóra vai dar conta.
Ele se calou. Mas aquele silêncio não era o mesmo de antes, usado para evitar conversas difíceis. Havia pensamento ali. Um pensamento pesado, desconfortável. Não o pressionei. Não queria vencer discussão nenhuma. Só queria seguir até o fim com algo que já tinha decidido.
— Bem… se é isso que você quer — disse afinal. — Vá tranquila.
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