Segui o que era esperado: hora do lanche, círculo de atividades, recreio ao ar livre. Mas não conseguia tirar os olhos das meninas. Observava coisas que não deveria.
O jeito que a menor inclinava a cabeça quando pensava. A maneira como a mais alta apertava os lábios antes de falar. Ambas tinham gestos idênticos.
Mas eram os olhos que me derrubavam, repetidas vezes. As duas tinham olhos únicos: um azul, outro castanho.
Meus olhos são assim desde que nasci. Uma heterocromia tão específica que minha mãe dizia que eu havia sido montada a partir de dois céus diferentes.
Fui ao banheiro e fiquei três minutos inteiros segurando a pia, tentando me recompor.
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