“Não. Estás a tentar torná-lo menor porque aparecer para ele exige esforço.”
O sorriso dele ficou fino. “Lá estás tu outra vez. Sempre dramática, sempre a minar-me.”
O Jeffrey apertou o papel contra o peito.
Thomas apontou para mim. “É por isso que ele é fraco.”
“Não”, disse eu. “Ele é bondoso. Tu é que não sabes o que fazer com isso.”
O Thomas saiu.
O Jeffrey ficou sentado à mesa da cozinha.
“Está tudo bem, mãe”, disse ele. “Ele não percebeu.”
Sentei-me ao lado dele. “Isso não quer dizer que não valesse a pena perceber.”
Na tarde seguinte, ouvi gritos antes mesmo de pôr a chave na porta.
“Mãe! Mãe, vem cá fora!”
O Jeffrey atravessou o portão a correr, o rosto iluminado e os joelhos sujos.
Atrás dele vinha o Benny.
O pequeno cão avançava sobre rodas, com a língua de fora. Duas pequenas rodas sustentavam-lhe a parte de trás enquanto as patas da frente se apressavam pelo passeio. As orelhas balançavam. O rabo abanava tão depressa que a estrutura tremia.
“Olha!” gritou o Jeffrey. “Ele consegue mexer-se, mãe!”
Deixei cair a mala no alpendre.
O Benny veio direito a mim, tocou-me no sapato e ladrou uma vez, como se tivesse recuperado a voz.
“Meu Deus”, sussurrei. “Jeffrey, foste tu, meu amor?”
A senhora Bell, do outro lado da rua, bateu palmas da escada. Um adolescente levantou o telemóvel para gravar. Duas crianças da esquina gritaram como se o Benny tivesse ganho uma corrida.
O senhor Walter saiu da garagem, a limpar os olhos.
“Aquele cão tinha desistido há três semanas”, disse ele. “O teu rapaz não desistiu.”
O Jeffrey ajoelhou-se e fez festas ao Benny. “Ele só precisava de rodas.”
O senhor Walter olhou para o meu filho.
Depois disse: “Passaste no teste, Jeffrey.”
O meu sorriso desapareceu. “Que teste?”
O Jeffrey levantou-se. “Teste?”
O senhor Walter apontou para o carvalho no jardim. “Vem ver o que preparei para ti.”
Agarrei o ombro do Jeffrey. “Senhor Walter, o que é isto?”
“Não é nada de mau, Ivy. Juro.”
Seguimo-lo até ao carvalho. A terra por baixo dele já tinha sido remexida.
O senhor Walter entregou uma pá ao Jeffrey.
“Ali”, disse ele.
Olhei para o senhor Walter. “Não gosto de surpresas com pás.”
Ele quase sorriu. “Justo. Enterrei isso ontem. Mal feito.”
O Jeffrey piscou os olhos. “Mal feito?”
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