Denise enxugou os olhos.
— Eu criei três filhos sozinha. Estive presente em febres, peças de escola, corações partidos e contas a pagar. Depois vocês cresceram e se esqueceram de mim. Eu tenho oito netos. Oito. Ainda assim, passei todos os feriados sozinha.
Carla encarava o próprio colo.
— Eu comprei cartões. Guardei velas. Esperei por faróis que nunca apareceram.
Olhei para os rostos deles e odiei o fato de ainda conhecer cada um tão bem.
Então acenei em direção aos envelopes.
— Abram.
Denise puxou um cartão de aniversário.
Benjamin abriu um cartão de Dia dos Pais que eu tinha comprado anos atrás para que os filhos dele entregassem a ele, quando ainda eram pequenos demais para se lembrar. Ele tinha cancelado aquele fim de semana, então eu escrevi a data dentro e guardei.
Carla abriu o envelope e levou a mão à boca.
Os netos encontraram cartões de Natal, mensagens impressas e fotos da minha mesa.
Um prato. Um guardanapo dobrado. E uma vela acesa na janela.
As mãos de Lily tremiam.
— Vovó… você guardou tudo isso?
— Todos os anos, querida.
— Por quê?
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