Eu nunca pensei que o garoto que criei como se fosse meu próprio filho viraria as costas para mim.
Daniel era o meu coração, meu orgulho, meu menino muito antes de ser meu neto. Quando os pais dele se mudaram para a Europa por trabalho e o deixaram para trás, eu o acolhi sem pensar duas vezes.
Eu era quem beijava seus joelhos ralados, ficava acordada com ele quando tinha pesadelos e preparava seu lanche todas as manhãs. Minha casa era a casa dele.
E por um tempo, ele me fez acreditar que sentia o mesmo.
Mesmo depois que meu marido faleceu, Daniel continuou morando comigo. Tínhamos nossas pequenas rotinas — panquecas de domingo, noites de filme na sexta-feira e longas conversas com chá. Eu achava que passaria meus últimos anos naquela casa, só nós dois, como sempre foi.
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