O entardecer já havia se instalado sobre as ruas empoeiradas de San Miguel de las Flores. Com a bengala na mão, um xale gasto sobre os ombros e uma sacola fina pendurada no braço, ela caminhava devagar. Dentro da sacola havia alguns documentos antigos, um RG vencido e moedas mal suficientes para comprar qualquer coisa. Os joelhos doíam, o estômago estava vazio havia quase dois dias, mas ainda assim ela reuniu o pouco de força que lhe restava para fazer o que vinha evitando há tanto tempo — pedir ajuda ao filho, Luis.
Luis já não era o menino descalço que corria pelos campos. Agora era dono de uma loja de ferragens, dirigia uma caminhonete brilhante e vivia em uma casa grande com a esposa, Verónica, que nunca escondia seu desconforto com a família vinda do interior. Rosa dizia a si mesma que não iria implorar — apenas pedir um pequeno empréstimo para comprar comida. Depois encontraria um jeito de pagar.
Quando chegou, o portão alto a fez hesitar. Tocou a campainha com dedos trêmulos. Após uma longa espera, Verónica apareceu, perfeitamente arrumada, com uma expressão distante.
— O que a senhora precisa, sogra?
Rosa tentou sorrir. — Vim ver o Luis… só para pedir um pequeno favor.
Verónica a olhou de cima a baixo antes de chamá-lo. Luis apareceu momentos depois, com o telefone na mão, claramente apressado.
— O que houve, mãe? Estou ocupado.
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