Rosa engoliu o orgulho. — Não tem mais nada em casa. Eu queria saber se você poderia me emprestar um pouco de dinheiro. Só para comida. Eu te pago depois.
Luis olhou para Verónica. — Não tenho agora. Tudo está investido no negócio.
— Nem um pouco? — insistiu Rosa baixinho. — Eu não como há dias.
Verónica estalou a língua. — Não somos banco.
As palavras a feriram, mas Rosa permaneceu em silêncio, apertando a bengala. Para encerrar logo o momento, Luis voltou com um pequeno saco de arroz.
— Leve isso, mãe. Não é dinheiro, mas ajuda.
Verónica abriu o portão apenas o suficiente e empurrou Rosa suavemente para fora. — Vá antes que a chuva piore.
Rosa segurou a sacola como se pesasse mais do que deveria, sussurrou um agradecimento e se afastou. Atrás dela, o portão bateu — mais alto do que qualquer insulto.
No caminho de volta, a chuva ficou mais forte, e a lama grudava em seus pés. Ainda assim, ela defendia o filho em seus pensamentos, convencendo-se de que ele devia estar passando por dificuldades.
De volta à sua pequena casa, colocou o arroz sobre a mesa e se preparou para cozinhar. Mas, ao abrir a sacola, sentiu algo duro lá dentro. Enfiou a mão e encontrou um envelope lacrado.
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