“Nós vamos conseguir.”
Naquele momento, eu não disse a ela que não fazia ideia de como.
Vendi meu carro antes do primeiro semestre dela. Era velho e mal funcionava, mas ainda era a única coisa que eu tinha que valia algum dinheiro. Depois disso, passei a ir para todo lugar de ônibus. Quando perdia o último depois do turno, eu ia a pé.
Peguei mais horas de trabalho. Depois ainda mais.
Algumas semanas, eu dormia em pedaços: quarenta minutos aqui, duas horas ali. Banho. Trabalho. Ônibus. Trabalho de novo.
A Jane nunca reclamou. Ia para as aulas, estudava, trabalhava meio período e voltava para casa com livros da biblioteca, olhos cansados e aquela mesma voz firme de sempre.
Toda vez que eu sentia que estava prestes a desmoronar, repetia a mesma coisa para mim mesma: *isso é pelo futuro dela.*
Quatro anos passaram assim. Quatro anos de contas atrasadas, café instantâneo, pés doloridos e a mentira constante de que eu não estava contando cada centavo na cabeça.
E então, de repente, estávamos a três dias da formatura.
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