E tranquilidade.
Ele se sentava em silêncio, resolvendo problemas de matemática enquanto o bairro seguia sua vida ao redor. Mães puxavam crianças cansadas da escola. Homens fumavam perto da mercearia. Adolescentes chutavam pedrinhas na calçada e riam alto demais.
Ninguém prestava muita atenção nele.
Até o dia em que um menino tímido parou ao seu lado.
Mason percebeu primeiro os sapatos do garoto. Estavam gastos nas solas e apertados na frente. Depois viu a mochila pendurada em um ombro, remendada duas vezes com fita preta. O menino não devia ter mais do que dez ou onze anos.
Mas seus olhos não paravam de olhar o caderno de Mason.
Mason sorriu sem levantar o lápis.
— Você gosta de matemática? — perguntou com gentileza.
O menino hesitou. Os dedos apertaram a alça da mochila.
— Eu… estou tentando. Mas não entendo.
Mason fechou o caderno pela metade e o observou por um instante. A voz do garoto era baixa, quase engolida pelo barulho da rua. Seu rosto tinha o cansaço de quem já ouvira muitos adultos suspirarem antes de explicar algo.
— Lucas.
— Bom, Lucas — disse Mason, dando um leve tapinha no banco ao lado — tentar já é um bom começo.
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