Eu não sabia disso na época.
Eu só sabia que meu filho tinha partido.
Alguns anos depois, mudei de cidade e comecei a trabalhar em um café onde ninguém me conhecia como a mulher que perdeu um filho. Eu fazia bebidas, limpava balcões, aprendia a seguir em frente sem chamar isso de cura.
Mas algumas coisas nunca me deixaram.
Howard tinha uma marca de nascença logo abaixo da orelha esquerda. Pequena. Oval. Irregular nas bordas. Eu costumava beijá-la todas as noites antes de ele dormir.
Fazia anos que eu não me permitia pensar nessa marca.
Até ontem.
Era um dia comum. Barulhento. Movimentado. Pedidos se acumulando.
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