“E agora um velho qualquer está a dar dinheiro ao meu filho?” disse o Thomas.
Eu levantei-me. “Cuidado.”
O Thomas ignorou-me. “Eu sou o pai dele. Isto passa por mim.”
A expressão do senhor Walter mudou.
“Engraçado”, disse ele. “Não pensou assim quando a minha rampa partiu.”
O Thomas franziu o sobrolho. “O quê?”
“Há dois meses. Depois da chuva, uma tábua levantou-se. Você estava mesmo ali estacionado.” O senhor Walter apontou. “Pedi-lhe ajuda para a arranjar. Disse-me: ‘Chame alguém pago para isso.’”
O Thomas mexeu-se desconfortável. “Não me lembro disso.”
“As pessoas raramente se lembram dos momentos que as revelam.”
O bairro ficou em silêncio.
O senhor Walter virou-se para o Jeffrey. “O teu filho voltou todos os dias por um cão que não lhe podia dar nada. Tu afastaste-te de um homem que só te pediu dez minutos.”
O maxilar do Thomas enrijeceu. “Ivy, foste tu que o meteste nisto, não foste? Tu queres sempre que tenham pena de ti.”
Algo cansado dentro de mim ficou mais firme.
“Não, Thomas. Passei anos a arranjar desculpas para ti para o Jeffrey não te odiar.”
“Eu sou o pai dele.”
“Então age como tal quando não há plateia nem envelopes.”
O Jeffrey aproximou-se de mim.
O Thomas olhou para ele. “Jeff, anda lá. Tu sabes que tenho orgulho em ti.”
O Jeffrey olhou para a medalha. “Ontem chamaste-lhe lixo.”
O Thomas abriu a boca.
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