— E você devia pensar primeiro na família, mamãe. Faculdade está cara hoje em dia. Casas são quase impossíveis de manter. E despesas médicas também.
Paige se animou.
— A avó da minha amiga quitou o carro dela.
— Que ótimo para ela — eu disse.
Ben me lançou aquele sorriso suave, o mesmo que eu nunca soube recusar.
— Ninguém está pedindo nada hoje, mãe.
— Não?
— Claro que não — disse Denise, embora parecesse decepcionada por eu não ter me oferecido.
Eu me levantei para recolher os pratos, e meu joelho esquerdo travou. Lily veio rápido.
— Eu ajudo, vovó.
— Não, senta, querida — disse Denise, apressada. — A vovó dá conta. E a água daqui não é boa. Não quero que suas mãos fiquem ressecadas.
Lily congelou.
Depois do jantar, levei os pratos para a cozinha e peguei as barras de limão. Da sala de jantar, ouvi a voz de Denise vazando pela porta entreaberta.
— Não pressionem demais hoje — disse ela. — Ela é sentimental. Deixem ela aproveitar, depois falamos de números.
Benjamin soltou um riso.
— Na idade dela, o que ela vai fazer com tanto dinheiro, afinal?
Carla sibilou:
— Ben. Para.
— O quê? Estou sendo prático.
Minha mão ficou parada sobre a faca. As barras de limão estavam ali, organizadas, doces demais para o que eu estava ouvindo.
Meus filhos estavam dividindo um futuro que nunca tinham se dado ao trabalho de visitar.
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