Uma vez, meu pai me chamou de lado. “Você está bem com isso, não está?”
Hesitei. Depois assenti. “Se você está feliz, é isso que importa.”
Os ombros dele relaxaram. Como se tivesse acabado de ser perdoado por algo que eu ainda não entendia completamente.
O convite de casamento chegou seis semanas depois. Uma cerimônia pequena. Apenas família próxima. Fiquei olhando para ele por muito tempo. O nome da minha mãe não estava em lugar nenhum. Nenhuma menção. Nenhum reconhecimento do pouco tempo que havia passado.
Mesmo assim, eu fui.
Eu disse a mim mesma que estava fazendo a coisa madura. A coisa amorosa. A coisa de filha. Ali, no dia do casamento, cercada por sorrisos, taças de champanhe e música suave, repeti essa mentira na minha cabeça.
Isso é só luto. São apenas duas pessoas quebradas encontrando conforto.
Então Robert chegou atrasado, com os olhos agitados, o paletó meio vestido. Ele agarrou meu braço.
“Claire. Precisamos conversar. Agora.”
E antes que eu pudesse perguntar o porquê, ele disse a frase que fez tudo desmoronar:
“O pai não é quem ele finge ser.”
Robert não parou de andar até estarmos quase do lado de fora. A música foi ficando distante. Risadas escapavam pelas portas abertas. Alguém bateu em um copo e comemorou. Aquilo parecia grotesco.
“O que está acontecendo?”, sussurrei com raiva. “Você perdeu a cerimônia. Parece que veio correndo.”
“Eu quase não vim”, ele disse. A mão dele tremia quando finalmente soltou meu braço. “Disseram para eu não vir.”
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