Meu pai assentiu. “Nós nos apoiamos um no outro. Sentimos a mesma dor. E uma coisa levou à outra.”
Meu irmão se levantou. “Você está dizendo isso três meses depois da morte da mamãe. Três meses.”
“Eu sei como isso soa”, respondeu meu pai. “Mas a vida é curta. Perder a sua mãe me ensinou isso.”
Aquela frase me feriu. Eu queria gritar que quem perdeu a vida foi ela, não ele.
Mas fiquei ali, paralisado.
Laura apertou ainda mais a mão dele. “Nós nos amamos. E vamos nos casar.”
As palavras soaram erradas. Rápidas demais. Ensaiadas demais. Lembro de ter concordado com a cabeça. Não lembro de ter decidido fazer isso. Meu irmão não disse nada. Apenas saiu da sala.
Mais tarde naquela noite, ele me ligou.
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