“Ela não está mais sofrendo.”
“Ela foi muito forte.”
“Você vai ficar bem. O tempo ajuda.”
Mas o tempo não ajudou em nada. Só fez o silêncio ficar mais alto.
Três meses depois do funeral, meu pai pediu para mim e para o Robert irmos até a casa dele.
“Só para conversar”, ele disse ao telefone. A voz parecia cuidadosa demais.
Quando entramos na sala, tudo estava exatamente igual. O casaco da minha mãe ainda estava pendurado perto da porta. Os chinelos dela estavam debaixo do sofá. As flores do funeral já tinham sumido, mas o vazio que deixaram parecia permanente.
Minha tia Laura estava sentada ao lado do meu pai. Irmã mais nova da minha mãe. Ela parecia nervosa. As mãos entrelaçadas, os joelhos juntos, os olhos vermelhos — como se tivesse chorado, mas não recentemente.
Lembro de ter pensado: por que ela está aqui?
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