Eu ainda não sabia que ele estava fazendo a coisa mais importante que eu já usaria na vida.
Me encostei na porta. “Desde quando você sabe costurar?”
Ele não levantou os olhos. “Desde que o YouTube e o kit de costura antigo da sua mãe me ensinaram.”
Eu ri. “Essa resposta me deixou mais nervosa, pai. Não menos.”
Ele finalmente olhou por cima do ombro. “Cama. Agora.”
Esse era meu pai, John. Ele conseguia consertar um cano estourado em 20 minutos, fazer o dinheiro render três refeições e transformar quase tudo em piada. Ele fazia isso desde que eu tinha cinco anos, quando minha mãe morreu e nós dois viramos nossa própria pequena família.
O dinheiro era sempre apertado. Ele pegava trabalhos extras, e eu aprendi cedo a não pedir muito.
Na primavera do último ano, o baile de formatura dominava a escola. As garotas falavam de limusines, unhas, sapatos e vestidos que custavam mais do que nossa compra mensal do mercado.
Uma noite, enquanto eu enxaguava pratos e ele estava sentado na mesa com uma pilha de contas, eu disse: “Pai, a prima da Lila tem uns vestidos antigos. Acho que posso pegar emprestado um.”
Ele levantou os olhos. “Por quê, filha?”
Eu pisquei. “Para o baile.”
Ele ficou me observando, e eu soube que ele tinha entendido o que eu não tinha dito em voz alta: “eu sei que não podemos pagar um vestido”.
“Pai, tudo bem”, eu disse. “Eu realmente não ligo tanto assim.”
Era mentira, e nós dois sabíamos disso.
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