Carol vinha todos os dias.
Paul ficou mais quieto. Ele observava Carol sentada ao meu lado, com as mãos espalhadas sobre a minha barriga, com um olhar tenso.
Sempre que Rob chamava o bebê de “nosso milagre”, a mandíbula de Paul se contraía.
Uma noite, enquanto nos preparávamos para dormir, perguntei: “Você está bem?”
Ele suspirou. “Eu só acho que a Carol está ficando… intensa.”
Sentei na beira da cama. “Ela sonha em ser mãe desde que era criança.”
“Anna, ela fala desse bebê como se não existisse mais nada no mundo.”
Dei de ombros, tentando não dar muita importância. “Talvez, agora, não exista mesmo.”
“Eu entendo isso, de verdade, mas…” ele soltou um longo suspiro e ficou olhando para o vazio por alguns segundos. “Não consigo evitar a sensação de que tem algo errado.”
Segurei a mão dele. “Quando o bebê nascer, tudo vai ficar bem. Você vai ver.”
Eu deveria ter confiado no instinto de Paul.
Entrei em trabalho de parto duas semanas antes do previsto.
Começou forte e de repente, no meio da noite. Paul me levou ao hospital enquanto eu tentava respirar entre as contrações.
Carol ficou ao lado da minha cama, segurando minha mão. Paul enxugava meu rosto com um pano úmido. Rob andava de um lado para o outro perto da janela.
Em um momento, Carol se inclinou e sussurrou: “Você está indo tão bem. Meu menino já está quase aqui. Ele está quase aqui.”
E então, finalmente, depois do último esforço, o bebê chorou.
Tudo parou quando aquele som encheu o quarto. Pequeno, intenso, vivo.
Carol cobriu a boca com as duas mãos e começou a chorar.
“Meu Deus”, ela sussurrou. “Esse é o meu filho.”
A enfermeira o colocou por um instante no meu peito. Ele estava quente, escorregadio, vermelho e perfeito.
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