Dei de ombros.
— Tudo bem.
Ela sorriu, doce demais.
— Eu anoto o endereço. Você vai gostar dele.
Eu não percebi como os dedos dela apertaram o papel. Nem como o cheiro de lavanda parecia mais forte quando ela se aproximou.
Tudo em que eu conseguia pensar era no vestido. Em como usá-lo talvez fizesse parecer que a vovó ainda não tinha ido embora.
Eu não fazia ideia de que aquele vestido seria a primeira coisa a provar que eu nunca realmente a conheci.
A alfaiataria no centro da cidade parecia existir há décadas. A placa estava desbotada, a vitrine levemente empoeirada, e o sino acima da porta tocou alto demais quando entrei.
— Já vou — uma voz de homem veio dos fundos.
Entrei mais um passo e imediatamente notei o cheiro.
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