Não lembro de ter chamado por ajuda. Lembro de estar sentada no chão, segurando a manga dela, como se soltasse, ela fosse desaparecer de vez.
As pessoas chegaram, vozes encheram a casa, e alguém não parava de dizer meu nome como se eu estivesse longe.
— Ela se foi, querida — disse uma mulher com cuidado.
— Não, ela só está cansada. Às vezes ela faz isso.
Mas não fez.
Algumas horas depois, eu estava na mesa da cozinha com a Sra. Kline, nossa vizinha, que cheirava tanto a perfume de lavanda que me dava dor de cabeça. Ela não parava de segurar minha mão, como se precisasse ter certeza de que eu ainda estava ali.
— Ah, Emma… — ela suspirou. — Não acredito que a Lorna se foi. Ela era tudo pra você.
— Ainda é — eu disse, olhando para a torta que nunca consegui mostrar para ela.
A Sra. Kline assentiu, enxugando os olhos.
— Lembro quando ela te trouxe pra casa. Você era tão pequena. Sete anos, agarrada no casaco dela como se tivesse medo do mundo tirar ela de você.
— O mundo já tirou todo o resto.
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