Ele ficou ali, preocupado, com as linhas da face ainda mais marcadas.
“Estarei aqui quando você voltar,” prometeu, beijando minha cabeça.
A clínica estava fria, a enfermeira eficiente. Quando me vi refletida em uma janela, lenço cobrindo a cabeça, pele da cor de papel sulfite, mal me reconheci.
Decidi não pegar o táxi e fui pelo caminho mais longo para casa, passando pela nossa antiga cafeteria e pela floricultura onde Grant comprava lírios para nosso aniversário. Tentei invocar um pouco de esperança.
Ao colocar a chave na fechadura, percebi que estava silencioso demais para um dia em que Tessa deveria estar por lá.
Então ouvi a voz de Grant, suave e próxima. Era o mesmo tom que ele usava comigo nas noites em que o medo me impedia de dormir.
“…só mais um pouco, Tess. Ela não faz ideia do que temos feito às escondidas.”
Meu corpo congelou. Fiquei paralisada no corredor, segurando a respiração.
A voz de Tessa veio em seguida: “Ela vai descobrir cedo ou tarde. Não consigo mais esconder isso.”
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