As minhas mãos congelaram no volante. “Porquê?”
Ela olhou para os sapatos. “Porque outra mamã beija o papá enquanto estás a trabalhar.”
Por um segundo, achei mesmo que tinha ouvido mal.
“O quê?” perguntei.
Ela continuou, naquela voz pequena e direta que as crianças usam quando não fazem ideia de que estão a destruir o teu mundo.
“Disseram-me para não contar quando os vi, mas a nova mamã vem assim que tu vais trabalhar. E agora ela está no hospital. Ela disse que vai cuidar dele melhor do que tu.”
O meu coração gelou.
Em dez anos, o Daniel nunca me tinha dado qualquer motivo para pensar que me traía. Mas uma criança não inventa outra mulher a beijar o pai.
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