Dentro, o ar cheirava a poeira, limpador de limão e madeira antiga. Toquei cada batente de porta.
A porta da despensa ainda emperrava embaixo.
Papai costumava consertá-la todo inverno e dizia: "Casas antigas reclamam quando estão frias."
Apoiei a palma da mão na madeira e sussurrei: "Você perdeu muita coisa, pai."
Comi chow mein no chão, depois escrevi uma lista de tarefas no recibo. Quando puxei uma prateleira solta da despensa para verificar a parede atrás dela, ar frio escapou pelo vão.
Foi quando eu a vi.
Atrás das prateleiras, uma parede acabada parecia lisa demais comparada ao resto. Sem emenda. Sem marcas de pregos antigos. Apenas um remendo estreito e cuidadoso escondido atrás da despensa, que o Sr. Walter provavelmente nunca moveu.
Meu telefone tocou antes que eu a tocasse.
Mamãe.
"Onde você está?" ela perguntou.
"Na cozinha. Jantando como dona de casa sem móveis."
"Você está perto da despensa?"
Minha mão apertou o recibo. "Por quê?"
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