Entrei no carro o quanto pude, cortei a cinta, a levantei e disse a primeira coisa que me veio à mente:
“Está tudo bem. Eu te peguei.”
Ela não estava bem, obviamente. Mas estava viva. E isso era suficiente, por enquanto.
Acompanhei-a até o hospital. Ela me encarava o tempo todo com aqueles olhos vazios e chocados que as crianças têm quando o mundo quebra rápido demais para elas entenderem.
Ela tinha uma pulseirinha de bebê de prata em um pulso. Pequenos sinos que tilintavam cada vez que a ambulância passava por um buraco.
No hospital, foi internada como menor não identificada do local do acidente.
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