— Você está bem? Parece que está indo para uma cirurgia, não para um jantar.
Ela soltou uma risada curta, mas tensa.
— Só estou nervosa, acho. Conhecer sua filha… isso é um momento importante, Michael.
— Ela está animada — garanti. — Está esperando por isso há semanas.
Viramos na minha rua. Os dedos de Kara apertaram a alça da bolsa.
Quando parei na entrada da garagem, ela não se mexeu. O olhar ficou preso na varanda — os degraus pintados de azul, o cata-vento, o pequeno amassado na porta. Vi o sangue sumir do rosto dela.
— Michael… — a voz dela saiu fraca. — Você mora aqui?
— Sim — respondi, surpreso. — Moro aqui desde antes da Izzy. Desculpa, é a primeira vez que você vem. Sei que nosso horário fez a gente jantar mais fora do que aqui em casa.
A respiração dela ficou curta.
— Eu… eu não quero entrar. Desculpa. Podemos remarcar? Eu só… não estou me sentindo bem.
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