Olhei para Isabelle. Sua mãozinha envolveu meu dedo naquele instante, e algo mudou dentro de mim.
— Eu fico com ela — sussurrei. — Eu vou ser o pai dela.
Assim começou o processo de guarda e adoção.
Os primeiros anos foram um turbilhão de mamadeiras, fraldas e exaustão profunda. Eu tinha 26 anos, era solteiro e mal conseguia me manter de pé.
Meus amigos começavam famílias, planejavam viagens e jantares tranquilos.
Mas nem por um único dia eu me arrependi.
Isabelle era intensa. Cresceu daquele bebê frágil para uma criança determinada, que jogava blocos quando ficava frustrada e batia palmas toda vez que eu lia o mesmo livro pela décima vez.
Tinha cachos, joelhos ralados, curiosidade infinita e uma risada que salvava até meus piores dias no hospital.
Houve momentos em que a solidão pesava — reuniões de pais, sempre o único pai solteiro, ou quando ela precisava desenhar uma família sem mãe.
— Onde está minha mãe, papai?
— Ela está onde você quiser que ela esteja, filha. Mas você tem a mim, sempre.
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