Depois disso, ficamos só nós duas.
Eu trabalhava durante o dia em um pequeno escritório, atendendo telefonemas e organizando papéis. À noite, limpava consultórios em uma clínica, três vezes por semana. Nos fins de semana, reabastecia prateleiras em um supermercado quando precisavam de alguém.
Eu me dizia que era temporário.
Não era.
Jane cresceu no meio disso tudo. Nunca deu trabalho. E isso, de certa forma, tornava tudo ainda mais difícil. Ela era o tipo de criança que percebia tudo, mas não pedia nada.
Aos oito anos, começou a fazer o próprio lanche.
Aos doze, guardava metade do dinheiro de aniversário “por precaução”.
Aos dezesseis, arrumou um trabalho de meio período na livraria do campus perto da faculdade comunitária, para começar a economizar antes mesmo de se inscrever em qualquer lugar.
Uma noite, quando cheguei em casa depois de limpar escritórios, encontrei-a dormindo na mesa da cozinha, com um livro de história aberto e um lápis ainda na mão.
Toquei seu ombro.
“Querida. Vai dormir.”
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