Vendi meu carro e passei a trabalhar em turnos da noite para pagar a mensalidade da minha filha – a ligação da secretaria da faculdade, poucos dias antes da formatura dela, me deixou sem palavras

 

Talvez ela tivesse reprovado em alguma disciplina e escondido de mim. Talvez houvesse uma dívida e não a deixariam se formar. Talvez ela estivesse doente e tinham combinado de me contar só no último minuto.

 

De manhã, eu já estava enjoada de ansiedade.

 

Vesti minha única blusa boa. Azul, com um botão frouxo que eu vivia dizendo que ia consertar. Me maquiei mal, porque minhas mãos não paravam de tremer. Peguei um ônibus, depois outro, e caminhei o último trecho até o campus.

 

Tudo ali parecia caro e impecável. Prédios de tijolos bem cuidados. Jardins floridos. Pais vestidos com roupas passadas, carregando câmeras. Jovens de vestidos brancos sob as becas. Rapazes de gravata rindo alto demais.

 

Eu me sentia como se tivesse entrado na vida de outra pessoa.

 

Na secretaria principal, uma jovem se levantou quando me viu.

 

“Mãe da Jane?”

 

“Sim.”

 

Ela sorriu.

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