A motorista alcançou o rádio.
— Central de trânsito, eu tenho—
— Ainda não se mexa — disse o motociclista.
O ônibus inteiro se virou contra ele ao mesmo tempo.
— Quem você pensa que é?
— Você não pode simplesmente entrar aqui!
— Tirem ele daqui!
— Chamem a polícia!
Ele não respondeu a nenhum deles.
Esse silêncio o fazia parecer cruel.
No fundo do ônibus, atrás de uma fileira de passageiros em pé e um carrinho de bebê preso entre os bancos, alguém fez um som baixo e abafado. Não um grito. Nem um choro. Mais como o som de alguém que aprendeu por tempo demais a não ser ouvido.
Os olhos do motociclista foram até lá. Só uma vez.
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