O amigo do Daniel recolheu pratos. A vizinha embalou as sobras. Uma mulher lavou taças. Duas pessoas ficaram na cozinha comendo tortinhas de pera e me perguntando como eu conseguia deixar a massa tão crocante.
Pela primeira vez em meses, eu me senti uma pessoa de novo.
Não um fardo. Não uma hóspede indesejada. Uma pessoa.
Daniel ligou na tarde seguinte, durante o curto horário em que conseguia falar.
Contei tudo para ele.
Ele ficou em silêncio por tanto tempo que achei que a ligação tinha caído.
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