Houve uma longa pausa.
— Senhora… ninguém visitou ela hoje. Tem certeza de que está na ala correta?
O tom de ocupado soou no meu ouvido.
Meu polegar ficou pressionado no botão vermelho mesmo depois da tela apagar.
Na outra mão, a camisa que eu estava dobrando escorregou, o colarinho caindo pelos meus dedos e se acumulando no meu pulso como algo já abandonado.
Naquela noite, tentei perguntar a ele como sempre fazia.
— Michael… quando foi a última vez que você viu sua mãe?
— Hoje de manhã, querida. Por quê?
— A enfermeira disse que ninguém a visitou hoje.
Ele riu.
— Amor, essas enfermeiras trocam de turno a cada doze horas. Metade nem sabe qual paciente é qual. Os médicos pediram especificamente para eu não levar mais ninguém por enquanto. Você precisa confiar em mim.
— Eu confio.
Eu disse como uma oração. Como se, dizendo em voz alta, isso voltasse a ser verdade.
Três dias depois, Michael fechou a mala ao lado da cama.
— Conferência de três dias em Denver. Vou checar o celular sempre que puder.
— Diga à sua mãe que eu a amo.
— Sempre digo.
Ele me beijou e saiu antes que o café esfriasse.
Naquela tarde, meu telefone tocou enquanto eu dobrava as camisas dele. O número não estava salvo.
— É a nora da Patricia?
— Sim. Quem está falando?
— Aqui é o Dr. Hensley. Estou tentando falar com Michael há horas. O celular dele cai direto na caixa postal. Seu número foi registrado como contato secundário de emergência da Patricia.
Meus dedos pararam no colarinho que eu segurava.
— O que está acontecendo? A Patricia está bem?
— O estado dela piorou significativamente. Você precisa vir agora. E, senhora… há algumas coisas que precisamos discutir quando chegar. Sobre os cuidados dela.
— Que coisas?
— Por favor. Apenas venha.
Peguei minhas chaves, minha bolsa e meu casaco em um único movimento.
Enquanto eu dirigia em alta velocidade pela estrada em direção a um hospital que eu não via há um mês, percebi que não fazia ideia do que realmente estava acontecendo dentro daquelas paredes. E eu estava prestes a descobrir sozinha.
Os pneus cantaram no estacionamento do hospital antes mesmo de eu lembrar de sair da rodovia.
Corri pelas portas automáticas, passei pela recepção, por um faxineiro com seu esfregão, com o casaco caindo de um ombro.
Uma enfermeira entrou diretamente na minha frente antes que eu chegasse ao elevador. Ela era pequena, com fios grisalhos nas têmporas, e colocou algo dobrado na minha palma.
— Fui eu quem ligou para você — sussurrou. — Leia isso agora. Seu marido está mentindo para você.
Meus dedos não obedeceram de imediato.
O bilhete dizia: “Vá até a Sala 120. Vou te mostrar as imagens das câmeras de segurança. Por favor, mantenha a calma e não conte a ninguém.”
Eu a segui por um corredor lateral. Ela destrancou um pequeno escritório e indicou que eu me sentasse.
Um monitor ganhou vida à minha frente.
— Preciso que entenda algo antes de eu apertar o play — disse ela. — O que vou te mostrar deveria ter sido mostrado há semanas. A administração do hospital só permitiu que eu copiasse as imagens depois que Patricia registrou uma reclamação.
— Só reproduza — sussurrei.
As imagens começaram.
Lá estava Michael no corredor da ala de reabilitação, mas ele não estava indo para o antigo quarto de Patricia. Ele segurava a mão de uma mulher. Uma mulher mais jovem, com a curva evidente de uma gravidez sob um suéter macio.
Ele a beijou no elevador como havia me beijado no dia do nosso casamento.
— Não… — eu sussurrei.
A enfermeira abriu um segundo arquivo. Outra data. O setor administrativo.
Michael estava assinando papéis em uma mesa.
— O que é isso? — perguntei.
— Documentos de alta. Ele parou de pagar. Quando o programa de reabilitação foi encerrado, Patricia foi transferida para a ala de caridade do hospital, no quarto andar.
Segurei a borda da mesa.
— Isso não pode estar certo. Eu dei dinheiro a ele. Toda semana. Para as contas.
— Eu sei — ela disse com calma. — Eu mesma verifiquei os registros de cobrança. Nada entrou na conta da Patricia há quase um mês.
Minha visão ficou reduzida a um único ponto brilhante na tela.
— Quem é ela? — sussurrei.
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