“Dia complicado no trabalho, Hanna,” dizia, evitando o meu olhar.
Jantava connosco, sorria para os meninos, mas depois desaparecia para o escritório antes da sobremesa. Eu ficava sozinha a arrumar tudo, a limpar impressões de dedos pegajosos do frigorífico e a ouvir o som abafado das suas chamadas do outro lado da porta.
Quando o Matthew entornava o sumo e o William começava a chorar, era eu quem se ajoelhava no chão da cozinha e sussurrava: “Está tudo bem, querido. Eu estou aqui.”
O Joshua já não estava. “Emergência no trabalho,” dizia ele, ou simplesmente desaparecia atrás do brilho azul do portátil.
Uma noite, depois de mais uma birra e demasiadas ervilhas debaixo da mesa, confrontei-o finalmente.
“Josh, estás bem?”
Mal levantou os olhos do ecrã. “Só cansado. Foi um dia longo.”
“Tu… quer dizer, estás feliz?”
Fechou o portátil com força a mais. “Hanna, tu sabes que estou. Nós queríamos isto, certo?”
Assenti, mas algo se torceu no meu peito.
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