E foi assim que decidi gravar a mim mesma.
No começo, não era sobre ele — realmente não era. Eu só queria saber se meu ronco era mesmo tão grave. Encontrei um antigo gravador portátil dos meus tempos de trabalho freelance, daqueles que funcionam a noite toda. Coloquei-o sob o abajur ao lado da cama e apertei “gravar”.
Sussurrei no escuro:
“Vamos ver o que está acontecendo de verdade.”
Quando acordei, nem escovei os dentes. Peguei o gravador com o coração acelerado e apertei “play”.
A primeira hora não tinha nada além do zumbido silencioso da geladeira lá embaixo e alguns estalos da casa se acomodando. Nenhum ronco — nem mesmo uma respiração profunda. Avancei a gravação, ainda nada.
E então, exatamente às 2h17 da manhã, ouvi: passos. Não eram os meus. Eram passos lentos e calculados no corredor, seguidos pelo leve rangido da porta do quarto de hóspedes.
Aumentei o volume.
Ouvi o som suave de uma cadeira sendo puxada, um suspiro, e o que parecia o teclado sendo digitado.
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