Esse era o problema, na verdade.
Nós dois trabalhávamos de casa e, às vezes, parecia que passávamos os dias a desviar um do outro.
Orbitávamos um ao outro com cuidado, em silêncio, como se qualquer palavra errada pudesse quebrar o pouco que restava.
Uma noite, depois de mais uma consulta médica, sentei-me na beira da cama e disse em voz alta:
“Talvez devêssemos parar de tentar.”
Ethan ficou de pé junto à janela, de costas para mim. “Eu não quero desistir de ter um filho.”
Algumas semanas depois, ele chegou em casa com uma pilha grossa de documentos debaixo do braço e um olhar animado no rosto.
“Estive a pesquisar gestação por substituição.”
Olhei para os papéis e depois para ele. Naquele momento, pensei que talvez ficássemos bem.
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