Eu vi o marido que segurou minha mão durante o parto.
Eu vi o pai que fazia cabanas de cobertor com nosso filho e esquecia de avisar quando ia se atrasar.
Eu vi todas as rachaduras que eu tinha aprendido a ignorar porque eu o amava, porque tínhamos um filho, porque a vida é longa e bagunçada e casamento não é conto de fadas.
E vi, com uma clareza doentia, que ele havia contado exatamente com isso.
Ele baixou a voz.
— Podemos não fazer isso aqui?
— Você quer dizer na festa que eu organizei para o seu aniversário de 40 anos? No quintal onde nosso filho está brincando? Na frente das pessoas que passaram anos vendo eu amar vocês dois?
— Fala baixo — murmurou o pai dele, como se o problema fosse o volume.
Eu me virei para ele.
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