No carro, depois, eu falhei mesmo assim.
Ele se inclinou para frente do banco de trás. "O quê?"
"Você não pode falar assim com administradores escolares."
"Por que não, mãe? Ela estava errada."
Eu olhei para ele no espelho, olhos afiados, queixo teimoso, meu filho em todo o sentido.
"Isso," eu disse, "é, infelizmente, uma argumentação muito forte."
A fisioterapia se tornou o lugar onde sua raiva ganhou músculos.
Aos dez anos, Henry sabia mais sobre articulações e caminhos nervosos do que a maioria das pessoas.
Ele sentava na mesa de exames, balançando uma perna, e corrigia pessoas duas vezes mais velhas.
Uma tarde, um residente olhou para seu prontuário. "Resposta motora retardada no lado esquerdo."
Henry franziu a testa. "Estou sentado bem aqui. Você pode simplesmente me perguntar."
O residente abafou um bocejo. "Tá bom. Como se sente?"
"Chato," Henry disse. "Também apertado. Também como se todo mundo estivesse falando sobre mim ao invés de comigo."
Eu ri. Ele sabia se cuidar.
Aos quinze, ele estava lendo revistas médicas na mesa da cozinha enquanto eu pagava as contas ao lado dele.
"O que você está lendo?" eu perguntei.
"Um artigo ruim," ele disse. "Esqueceu que tem uma pessoa ligada ao prontuário."
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