— Eleanor, por favor, me deixe explicar — implorou ele, estendendo a mão. — Era só uma piada, um teste do temperamento dela!
— Não — interrompeu ela com firmeza. — Não se dê ao trabalho de aparecer no escritório na segunda-feira. Você está fora.
Eu me levantei, sinalizando para o garçom embalar os suflês não tocados em uma sacola com folhas douradas.
— Aproveite a conta, Steven — disse, oferecendo um pequeno sorriso de pena. — Espero que o gosto do próprio veneno seja tão rico quanto o chocolate.
— Você acha que acabou? — ele gritou enquanto eu me virava. — Eu vou fazer você se arrepender disso!
— Duvido que alguém ainda esteja disposto a te ouvir — respondi, caminhando em direção à saída.
O ar frio da noite bateu no meu rosto, e eu respirei fundo, de forma constante.
Minhas mãos ainda tremiam, mas não era mais nervosismo. Era alívio — limpo e brilhante, como sair de uma sala trancada e perceber que a porta nunca tinha sido minha. Caminhei até o meio-fio carregando uma sacola de sobremesas e uma versão de mim mesma em quem eu podia confiar.
Percebi que a coisa mais doce que ganhei naquela noite não foi o suflê de chocolate. Foi a certeza de que meu respeito próprio valia muito mais do que a aprovação de qualquer homem. Eu finalmente estava livre.
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