— Ela vai dispensar — disse ele ao garçom, com desdém. — Já comeu o suficiente hoje.
Olhei para a mão dele, depois para o rosto dele, sentindo algo mudar dentro de mim.
— Com licença? — perguntei, firme. — Eu ouvi corretamente?
— Sem sobremesa para você, querida — disse ele, com um sorriso condescendente. — Eu gosto de mulheres magras.
Mas o verdadeiro teste não era os comentários dele. Era a presença invisível da chefe dele, sentada a poucos centímetros atrás de mim.
— Eu vou querer o suflê de chocolate, o crème brûlée, a tarte Tatin e todas as outras sobremesas do cardápio — falei ao garçom, com a voz clara ecoando pelo salão silencioso.
— E, por favor, tragam uma garrafa do melhor champanhe para a mesa atrás de nós — acrescentei, encarando o garçom atônito.
— O quê? — sibilou Steven, ficando vermelho de raiva. — O que você está fazendo?
— Eu estou fazendo o pedido, Steven — respondi, ajeitando o guardanapo. — Você disse que sobremesa era um privilégio, e eu decidi me dar esse luxo.
— Você não vai cobrar isso no meu cartão — ele sussurrou, se inclinando sobre a mesa, os dentes cerrados. — Você quer me destruir?
— Foi você quem quis impressionar seu chefe, não foi? — perguntei, abrindo um sorriso brilhante e falso. — Só estou ajudando você a compartilhar a generosidade.
O garçom hesitou, olhando de um para o outro.
— Senhor, devo prosseguir com o pedido?
— Não! De jeito nenhum — disparou Steven, olhando desesperado por cima do ombro para ver se Eleanor tinha ouvido. — Ela está confusa, ignorem isso.
— Eu estou perfeitamente lúcida, obrigada — respondi, encarando o garçom. — Por favor, tragam tudo o que pedimos. E certifiquem-se de mencionar que o champanhe é um presente do Steven.
— Você é uma psicopata — ele rosnou baixo. — Você tem ideia de quanto custa essa garrafa?
— Imagino que seja bastante. Mas uma boa impressão não vale o preço?
— Você vai me fazer ser demitido — ele implorou, a arrogância se desmanchando em puro pânico.
— Talvez você devesse ter pensado no seu comportamento antes de me insultar — respondi. — Você realmente achou que eu ficaria aqui e deixaria você controlar o que eu como para benefício próprio?
— Eu só estava brincando sobre as calorias — ele gaguejou, olhando de novo para a mesa de Eleanor. — Não consegue levar uma piada?
— Eu não acho que insultar o corpo de uma mulher seja uma piada, Steven — disse, deixando finalmente o sorriso desaparecer. — Isso é um defeito de caráter.
— Cancele o pedido — ele ordenou novamente ao garçom, a voz falhando. — Eu não vou pagar por essa palhaçada.
— Se você não pagar, serei obrigada a informar a sala inteira por que o pedido foi feito — avisei, recostando na cadeira. — Quer mesmo discutir seus padrões sobre mulheres na frente do seu chefe?
O garçom esperou, segurando o bloco de pedidos como um escudo.
Pela primeira vez naquela noite, eu consegui ver tudo com clareza. Ele tinha me convidado como cenário, um acessório polido para a própria ambição, alguém bonita o suficiente para valorizá-lo e obediente o bastante para ficar em silêncio. Mas a humilhação que ele tinha planejado para mim tinha mudado de direção — e agora tinha encontrado ele.
— Tá bom — cuspiu Steven, tremendo de raiva. — Só faz isso desaparecer.
— Receio que ainda tenho mais um pedido — disse, sentindo uma clareza fria e afiada tomar conta de mim. — Quero que o garçom nos apresente corretamente ao seu chefe.
— Você não teria coragem — ele sussurrou.
— Tenta — respondi.
— Por favor, enviem essa garrafa de Dom Pérignon para a mesa atrás de nós — disse ao garçom, gesticulando em direção a Eleanor. — Com os mais sinceros cumprimentos do Steven.
Steven ficou pálido de um jeito que não combinava com o blazer caro.
— Você não pode fazer isso — sibilou, inclinando-se sobre a mesa. — Essa garrafa custa quatrocentos dólares, e meu chefe está ali com a esposa dela!
Levantei uma sobrancelha, fingindo surpresa.
— Achei que você quisesse impressioná-la com sua generosidade e sua cultura corporativa, Steven.
— Ela está olhando pra mim — ele sussurrou, as mãos tremendo enquanto apertava o guardanapo. — Cancele. Diz que foi um engano.
Antes que eu pudesse responder, uma mulher alta e elegante se levantou e veio em direção à nossa mesa. Era Eleanor, ainda mais imponente do que eu tinha imaginado.
— Steven — disse ela, com uma voz calma e firme. — Que surpresa encontrá-lo aqui.
Steven se levantou de imediato, quase derrubando a cadeira.
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