Sete anos atrás, ela era o centro de nossa casa barulhenta e cheia, a pessoa que conseguia acalmar um bebê com uma canção e parar uma briga com um olhar.
Mara tinha onze anos naquela noite, descalça na beira da estrada, tremendo tanto que mal conseguia ficar em pé.
A polícia encontrou o carro de Calla perto do rio: a porta do motorista aberta, a bolsa dentro e o casaco deixado na grade acima da água.
Eles encontraram Mara horas depois, andando ao longo da estrada, com o rosto vazio e as mãos roxas de frio.
Ela não falou por semanas.
Quando finalmente falou, disse a mesma coisa todas as vezes.
“Eu não lembro, pai.”
Eles procuraram por Calla durante dez dias.
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