Foram as últimas palavras calmas dele naquele dia.
O pânico distorce tudo — ao mesmo tempo que torna tudo mais nítido. Lembro-me do Daniel a meio da escada, com o braço levantado, e do som do spray a atingir o ninho.
O zumbido explodiu de repente, como se o ar tivesse rebentado. Uma nuvem negra saiu do ninho numa onda rápida e violenta.
“Meu Deus! Daniel, desce!”
Ele estremeceu. A escada deslizou na parede com um arranhão horrível. Um pé escorregou. E tudo cedeu.
O som do corpo dele a cair no chão é algo que acho que nunca vou esquecer.
Depois, as vespas atacaram-no. Ele batia desesperadamente no peito e no rosto, a tentar respirar, a tentar levantar-se — sem conseguir nenhuma das duas coisas.
Eu agarrei a mangueira e liguei-a com as mãos a tremer. “Vai para a garagem!”
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