Eu disse que sim.
Aquele porão era separado, com entrada externa na lateral da casa. Eu quase não usava. Não descia lá fazia meses, talvez mais. Eu saía cedo, chegava cansado e não ficava andando pela propriedade atrás de problemas.
Algumas vezes notei sacolas perto da porta do porão ou ouvi um barulho surdo lá fora no meio do dia. Presumi que ela estivesse apenas mexendo em tralhas. Uma vez ela disse:
“Estou tentando separar coisas para doação, para a sua casa ficar menos cheia.”
Eu agradeci e segui minha rotina.
Achei que dar espaço era um gesto de bondade.
Três meses passaram assim.
Até que uma manhã, quando eu estava saindo, alguém bateu na porta.
Era minha vizinha, a senhora Teresa, de chinelos e com um ar tenso.
“Está tudo bem?”, perguntei.
Ela olhou em direção ao quintal lateral.
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