— Então, durante todo esse tempo… eu fui o bebê que você abandonou. Você tem ideia de quantas vezes eu imaginei minha mãe?
Kara também se levantou, enxugando o rosto.
— Eu sinto muito. Mas eu sei que isso não é suficiente. Eu fui covarde. Eles me pressionaram, mas eu fui eu quem fugiu do que fiz.
O silêncio que se seguiu parecia capaz de dividir a casa ao meio.
Nenhum de nós dormiu.
Kara foi embora em silêncio. A porta de Isabelle permaneceu fechada. Eu fiquei olhando para a cesta guardada no armário do corredor, passando os dedos pela borda, como se ela ainda pudesse explicar algo.
Quando a manhã finalmente chegou, Isabelle se moveu pela cozinha em silêncio, colocando xícaras na mesa. Seu rosto estava pálido, mas firme. Ela empurrou uma xícara de chá para mim.
— Pai… eu preciso vê-la. Sozinha.
Assenti, com o coração pesado.
— Vou esperar lá em cima. Se precisar de qualquer coisa, me chama, meu amor.
Kara chegou ao meio-dia, com as mãos entrelaçadas, nervosas. Quase não olhou para mim quando Isabelle a levou para a sala.
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